O básico
VPN e proxy: no que são diferentes e quando cada um faz sentido

Neste artigo
O Telegram tem um campo para o endereço de um proxy, assim como o navegador e as configurações do Wi-Fi, enquanto a VPN costuma vir como um app separado. Os dois levam você à internet por um servidor de terceiros, então escolher entre VPN e proxy pode parecer questão de cara ou coroa. Não é. O proxy só funciona onde você o configurou, em um programa ou em uma rede, e nem sempre criptografa os dados. A VPN pega o tráfego do dispositivo inteiro e o criptografa até o servidor.
O proxy atende um programa de cada vez
Um servidor proxy é um programa que roda no computador de outra pessoa. Ele recebe a solicitação do seu programa, faz o mesmo pedido ao site e devolve a resposta para você. Você informa o endereço e a porta do proxy nas configurações de um navegador, de um app específico ou do sistema inteiro. Cada programa manda pelo proxy só o que foi configurado para mandar, e todo o resto do aparelho continua se conectando diretamente, pelo seu endereço real.
A palavra abrange coisas bem diferentes.
- O proxy HTTP repassa solicitações da web. Sites com HTTPS continuam funcionando por ele, mas o trecho entre você e o proxy normalmente não é criptografado.
- O SOCKS5 transporta mais do que páginas da web, desde que o programa tenha suporte, e também não criptografa nada.
- O proxy transparente é instalado por quem administra a rede de um escritório ou de uma faculdade. Ninguém o configura no próprio aparelho, e muita gente nem sabe que ele está ali, filtrando ou guardando em cache o tráfego da rede inteira.
- O proxy dentro do app fica nas configurações de um único programa. É assim no Telegram. Ele aceita SOCKS5 ou os proxies MTProto, que são do próprio Telegram, e essa configuração não afeta nenhum outro app.
A VPN cobre o dispositivo inteiro
A VPN se integra ao sistema operacional, e não a um programa específico. O app de VPN adiciona uma conexão de rede virtual ao celular ou ao computador, e o sistema manda para ela o tráfego de todos os programas. O backup de fotos, a loja de apps, o cliente de e-mail e cada aba do navegador passam por ela, e nenhum deles precisa de configuração própria.
A criptografia faz parte da própria conexão, não é uma caixinha que você pode esquecer de marcar. No nosso artigo sobre como funciona uma VPN, acompanhamos uma solicitação passando pelo provedor e pelo servidor e mostramos o que o site acaba vendo.
Criptografia e o que fica visível no caminho
Nem o proxy HTTP nem o SOCKS5 têm criptografia própria. Se você abrir por eles uma página sem HTTPS, o dono do Wi-Fi, o seu provedor e o proxy conseguem ler tudo. Em sites com HTTPS o conteúdo da página fica protegido, mas o nome do site continua passando às claras, porque o proxy precisa saber para onde mandar a solicitação.
Tem também a questão do DNS. Antes de abrir um site, o aparelho pergunta em qual endereço IP ele está. Com SOCKS5, o programa pode fazer essa pergunta por fora do proxy, e aí o seu provedor vê os nomes dos sites, mesmo que as páginas passem pelo intermediário. O Firefox manda o DNS pelos proxies SOCKS5 por padrão desde a versão 128 (2024), mas muitos outros programas não fazem isso, então vale conferir.
Alguns proxies criptografam, sim, a conexão até eles, caso dos proxies HTTPS e de protocolos como o Shadowsocks. Só que isso depende de cada serviço, e a palavra “proxy” na descrição não diz nada a respeito. Uma VPN moderna criptografa o trecho entre o seu dispositivo e o servidor, então o provedor só vê uma conexão com um servidor.
Quem fica com o seu tráfego
Todo intermediário tem um dono que consegue ver para quais sites vão as suas solicitações. Nisso, proxy e VPN são iguais. Por isso a tecnologia importa menos do que saber a quem você confia essas solicitações.
A escolha mais arriscada é um proxy público gratuito tirado de uma das listas que circulam na internet. Pesquisadores da Grécia, do Chipre e dos Estados Unidos passaram dois meses testando milhares de proxies HTTP abertos e apresentaram os resultados na conferência de segurança NDSS em 2018. Eles descobriram que 38% dos proxies alteravam de alguma forma as páginas que passavam por eles. A maioria das alterações era inofensiva, mas 5,15% dos proxies inseriam anúncios, acrescentavam código que rastreia os visitantes ou redirecionavam as pessoas para páginas com malware. Uma lista não diz quem mantém um servidor desses nem como ele se paga.
Tecnicamente, um serviço de VPN vê tanto quanto o dono de um proxy. A diferença é que se trata de uma empresa com app, equipe de suporte e termos de uso, que você escolhe de propósito, e não de um endereço qualquer tirado de uma planilha.
E a velocidade?
A velocidade depende muito mais do servidor do que da tecnologia. Um proxy gratuito sobrecarregado em outro continente quase certamente perde para uma VPN com servidor próximo, enquanto um proxy decente em um país vizinho quase não se nota. A criptografia da VPN também leva tempo, mas, nos celulares e notebooks de hoje, isso é mínimo perto do atraso que a distância acrescenta.
O que você vai notar mais é o alcance. O proxy só afeta o programa em que foi configurado, então, com um proxy lento, só um navegador fica lento. A VPN leva todo o seu tráfego e, se o servidor estiver longe, tudo fica lento de uma vez, inclusive o que você nem queria mandar por ela. Escolher um país próximo e configurar exceções resolve isso, como mostramos mais abaixo.
Quatro situações do dia a dia
O provedor bloqueou um site
Se o bloqueio é feito pelo endereço do site, um proxy configurado no navegador resolve. Mas um filtro que inspeciona o tráfego enxerga o nome do site dentro de uma conexão de proxy sem criptografia e pode bloquear essa conexão também. E o app do mesmo serviço no celular não sabe nada do proxy do navegador. Pela VPN, passam tanto o navegador quanto os apps.
Wi-Fi grátis no hotel ou na estação de trem
Aqui o trabalho é da VPN. Um proxy no navegador não faz nada pelo seu e-mail, pelos apps de mensagens ou pelo que roda em segundo plano. Com a VPN, o dono do ponto de acesso só vê o seu aparelho conversando com um servidor e não faz ideia de quais serviços você usa.
Um serviço exige outro país
Digamos que você esteja viajando e precise de um site que só funciona para visitantes de um certo país. Se ele abre no navegador, um proxy nesse país resolve. Se for um app no celular ou na TV, é mais simples ligar a VPN e escolher esse país.
Mensagens, jogos e chamadas
Jogos e chamadas de voz costumam mandar dados por UDP, e o proxy HTTP só repassa conexões TCP comuns. Na teoria, o SOCKS5 suporta UDP, mas poucos programas o usam assim, e muitos ignoram completamente as configurações de proxy do sistema. Pela VPN, esses apps costumam passar sem nenhuma configuração extra, porque para eles ela parece uma conexão de internet comum.
Onde a Bebra entra nessa história
A Bebra é um app de VPN. Ela adiciona um perfil de VPN ao sistema, e o tráfego do dispositivo inteiro passa pelo servidor, inclusive o navegador e os jogos. A Bebra não tem extensão para navegador, e você não precisa de uma, porque o app já coloca todos os navegadores dentro do túnel. Baixe a versão para o seu sistema na página de download.
A conexão usa VLESS + REALITY, XHTTP, Hysteria2 e Shadowsocks. Qual deles usar e por qual rota seguir, quem decide é o app.
Se algo não deve passar pela VPN, use o tunelamento dividido. Toque em “Túnel” no alto da tela principal e escolha “Manual”. Ali você lista endereços IP, sub-redes ou domínios, um por linha, e eles passam a se conectar diretamente. No Android também dá para escolher apps que ignoram a VPN.

Todos os planos incluem os 187 países, e você pode conectar quantos dispositivos quiser. Dá para começar pelo período de teste por 10 ₽. 3 dias de acesso total, depois 500 ₽ por mês. A assinatura é renovada automaticamente.
Perguntas e respostas
O proxy do navegador esconde o meu IP de todos os sites?
Só dos sites que você abre nesse navegador. Os outros programas do aparelho acessam a internet diretamente e mostram o seu endereço real. A VPN troca o endereço de todos os programas de uma vez.
Para que serve a opção de proxy nas configurações de Wi-Fi do celular?
É um proxy HTTP só para aquela rede Wi-Fi. O navegador e os apps que leem as configurações de proxy do sistema usam esse proxy, mas ele não vale nos dados móveis nem em outras redes. Sozinho, ele não acrescenta nenhuma criptografia.
Qual o risco de um proxy gratuito tirado de uma lista na internet?
Você não sabe quem o mantém. Em um estudo de 2018 sobre proxies HTTP abertos, cerca de um em cada vinte inseria anúncios ou código de rastreamento nas páginas que repassava ou redirecionava as pessoas para páginas com malware. Uma lista não diz como um servidor desses se paga.
Por que o navegador funciona pelo proxy, mas um app não?
Muitos apps não leem as configurações de proxy ou mandam parte dos dados por UDP, que um proxy HTTP comum não repassa. A VPN funciona no nível do sistema, então esses apps costumam passar por ela sem configuração extra.
A Bebra é proxy ou VPN?
VPN. O app adiciona um perfil de VPN ao sistema, criptografa o tráfego do dispositivo inteiro e escolhe sozinho o protocolo e a rota. O navegador e os outros programas não precisam de configuração.



